O ano era 2006 e um professor do cursinho que frequentava me emprestou um CD de uma banda chamada Rotting Christ. O álbum, “Triarchy of the lost lovers”, lançado dez anos antes. Eu gostei logo de cara, com a abertura de “King of a Stellar War”, mas confesso que minha preferida é “Diastric Alchemy” (talvez porque eu estivesse viciada no anime “Fullmetal Alchemist”, que passava na Rede TV!).
E desde então procuro acompanhar a banda grega, talvez mais de longe do que gostaria, mas seja qual for o streaming de música que estiver em uso no meu celular, o Rotting Christ sempre terá músicas na minha lista de “certeiras”.
No final de 2023, soube da biografia oficial escrita por Sakis Tolis (o vocalista/fundador/frontman/cabeça da banda) e Dyal Patterson (que já havia publicado o livro sobre o “culto” Black Metal”), a única conclusão foi a de que eu precisava deste livro. Confesso que ficou uns meses parado na estante, não porque eu havia me arrependido ou algo parecido, mas uma questão de "timing" mesmo, então em dezembro (28/12/2024) resolvi iniciar esta leitura e que maravilha!
O livro talvez tenha um formato de "documentário", um tom de entrevista, uma vez que há falas de todos os integrantes da banda, ex-integrantes e amigos de longa data, intercaladas com parágrafos introdutórios/explicativos.
Logo no início somos informados de que Sakis enfrentou diversos demônios internos ao resolver escrever a biografia de sua banda, que, em muitos pontos, torna-se a sua biografia também.
O relato começa nos primórdios, a infância pobre, numa Grécia nada promissora, os primeiros contatos com a cena black metal, à época, liderada pela Escandinávia e a ascensão do que as várias introduções das falas chamariam de Black Metal Grego.
Foi muito legal ir além do conceito do álbum, o que normalmente é perguntado em entrevistas, quando as bandas realizam algum lançamento (sou da época em que ainda se comprava revistas para saber um pouco mais sobre suas bandas, afinal, era a transição para a era da internet, em que não se esconde nada de ninguém) e limita-se a ser sobre o que houve por trás da obra específica daquele momento.
A leitura não foi cansativa ou talvez não tenha sido para mim, porque era minha vontade ler este livro. Houve também gratas surpresas nas falas de Sakis a respeito de criação artística, que destaquei como lições a levar para a vida e houve também um capítulo que me emocionou muito, o capítulo 15, em que Sakis conta sobre a luta contra depressão, ansiedade e síndrome do pânico, ter tratado estas questões como todos os que procuram ajuda especializada e honesta são orientados a tratá-las. Imagino o quanto deve ter sido desafiador para ele contar sobre o período, porque ainda que saibamos que os artistas por nós admirados também são seres humanos, não é o que imaginamos de um músico de black metal.
Eu poderia passar o dia digitando ou até mesmo lendo atualizações sobre o Rotting Christ, mas acredito que neste mundo de leitura, devemos dar o “gostinho” e assim as pessoas decidem se querem ler ou não.
Obrigada!